DENÚNCIA

Assédio sexual de médico,

quem afinal se atreve a denunciar?

ROBERTO MARCOS - Articulista

Terça, 30/3/2021, 06h51min - VOX Teófilo Otoni

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Uma coisa é certa: assédio sexual protagonizado por médicos em Teófilo Otoni é tão comum  e recorrente como o assédio de qualquer outro profissional, embora igualmente asqueroso. Há quem discorde. Para esses, assédio sexual que parte de um profissional da saúde, por encontrar a sua vítima em suposto estado de fragilidade, é muito mais grave do que outra situação que se possa imaginar.

Outra coisa também é certa: ouvíamos dos nossos pais que há duas profissões cujos praticantes devemos evitar ter como inimigos: padre e médico. Isso porque, o primeiro, este "teria linha direta com Deus". O segundo, este sabe em que fios mexer para que a lamparina da vida se apague mais rapidamente.

Então, diante desses valores distorcidos, eis que um amigo pergunta-me: sabendo que um dia a pessoa poderá parar nas mãos de um, quem teria então coragem de denunciar que há médicos cometendo assédio sexual em Teófilo Otoni e região? Eu tenho, sim, coragem de denunciar - respondo rapidamente. "Tragam-me um caso concreto", completo. Aliás, há algum tempo, havia um médico de Teófilo Otoni envolvido em muitos casos. Quando me preparei para produzir uma pesquisa e colocar a situação à luz do debate público, a "turma do deixa disso" apressou-se a abafar o caso sob a alegação de que a vítima negaria o delito. Como o tempo passou e as provas de tal ocorrência perderam-se, não pude e não posso agora reavivar este caso. Infelizmente.

No momento que me coloco a este conteúdo, penso nos amigos médicos que tenho. São muitos. E os tenho na medida de ótimas pessoas que sei que são. Penso, por exemplo, em meu amigo José Walter, Jorge Mattar, Dr. Enos, Luiz Carlos Barreto, Jorge Medina e outros. E não sou capaz de imaginar gente dessa estirpe envolvida em comportamentos anticivilizatórios como o que acabo de abordar.

Mas por outro lado, também sou induzido a pensar em meninas e mulheres (muitas delas simples e da periferia) que se sujeitam ao desejo descontrolado de médicos que se julgam semideuses. E o pior: semideuses deformados, aloprados, sociopatas que, no silêncio de seus consultórios, de suas clínicas, hospitais e postos de atendimento, revelam uma face da qual Deus, sobretudo Deus, envergonha-se e se entristece. Mas confesso que esse não é um caso para Deus mas, sim, para a Polícia.

 

Preciso alertar que houve e talvez haja muitos casos de assédios e abusos sexuais em Teófilo Otoni protagonizados por esses profissionais. Mas, por tudo que há de mais sagrados, também não nos esqueçamos dos médicos probos, corretos e merecedores do reconhecimento social. E esses baluartes da profissão existem, aos montes. Portanto que me perdoem estes, mas a rudeza do meu conteúdo é destinada aos médicos que maculam a profissão e, infelizmente, fazem respingar desconfiança em gente que deveria receber apenas aplausos e a gratidão de toda a sociedade.

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